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terça-feira, 2 de setembro de 2014

"Recuperação da Biblioteca Anna Amalia envolveu 22 mil pessoas"

Passada uma década desde o incêndio que destruiu grande parte de seu acervo, a Biblioteca da Duquesa Anna Amalia de Weimar, no estado alemão da Turíngia, está a caminho da recuperação. Os danos arquitetônicos foram praticamente reparados e o salvamento de seus centenários livros está em franco progresso.

Os "pacientes mais difíceis" ainda terão que passar alguns anos nos ateliês de restauração. Porém muitos já foram recuperados, e das 50 mil publicações perdidas, 10 mil puderam ser readquiridas em antiquários. E, tanto tempo depois da catástrofe, alguns livros tidos como perdidos têm até mesmo aparecido.

Um deles é uma primeira edição de De revolutionibus orbium coelestium, de Nicolau Copérnico, encontrada sob um monte de cinzas num caixote. Com as descobertas e deduções sobre a Terra e o sistema solar, lá expostas, em 1543 o astrônomo polonês sacudiu a concepção medieval do universo.

Michael Knoche, diretor da Biblioteca Anna Amalia desde 1991, relata em entrevista à DW quão importante esse achado é para o precioso acervo, e quão presentes para ele ainda estão os incidentes de 2 de setembro de 2004.

DW:Passaram-se dez anos desde o incêndio. Que lembranças o senhor tem dessa noite?

Michael Knoche:Os acontecimentos daquela noite ainda estão bem vivos diante dos meus olhos, como se fosse ontem. Às 20h25 um funcionário me comunicou que haviam sido detectadas chamas no prédio principal da biblioteca. Cerca de seis minutos mais tarde, eu estava no local, pois moro próximo, e vi com meus próprios olhos que subia fumaça do telhado. Eu senti uma fraqueza nos joelhos e compreendi que não se tratava de um alarme falso, mas sim de uma catástrofe.

Nós contatamos por telefone a Associação de Emergência de Weimar, um departamento de ajuda às instituições culturais locais. Seus técnicos chegaram pouco depois dos bombeiros, que estavam lá desde as 20h31. Com a ajuda deles, começamos a retirar do Salão Rococó certas obras de arte e livros especialmente valiosos.

E o corpo de bombeiros deixou o senhor agir, sem problemas?

O incêndio se deflagrou na área do sótão e o Salão Rococó fica no primeiro andar. Então, havia dois andares entre os técnicos e o telhado em chamas. O corpo de bombeiros permitiu nossos trabalhos por uma hora e meia, pois não considerou que houvesse grande perigo. A casa estava em plenas chamas no telhado, mas do lado de dentro ainda se podiam salvar livros.

Consta que o senhor mesmo salvou a Bíblia de Martinho Lutero...

Isso foi mais tarde, quando os bombeiros avaliaram que a situação era crítica demais e temiam que a casa fosse ruir. Aí, nem civis nem os próprios bombeiros podiam mais entrar. Só nesse momento me ocorreu que a nossa peça mais importante ainda estava na primeira galeria do Salão Rococó. Eu entrei com um bombeiro e retirei o livro. Mas tarde se constatou que os temores tinham sido injustificados, pois o prédio permaneceu estável.

Esse incidente ficou tão conhecido pelo fato de se tratar da famosa Bíblia de Lutero, de 1534. Do meu ponto de vista, não foi nenhuma façanha fora do comum. Houve gente que se empenhou com a mesma energia e paixão no resgate dos livros.

Depois houve uma onda de solidariedade, também do exterior. Quem eram esses doadores?

Formou-se, por exemplo, um grupo American Friends of the Herzogin Anna Amalia Library para coletar donativos. Da Sociedade Goethe da Coreia do Sul vieram doações, assim como do Japão; uma classe escolar de Bruxelas se empenhou em especial; a cidade-parceira de Weimar, Blois, na França, contribuiu. Houve grande apoio para além da Europa. Ao todo, 22 mil pessoas participaram da recuperação.
Qual é o maior desafio para o senhor hoje, dez anos após o desastre?

A Anna Amalia é uma biblioteca de pesquisa e se encontra diante de uma série de desafios que não têm a ver diretamente com o incêndio. A palavra-chave aqui é "digitalização". Mas no setor de restauração, eu diria que são os livros seriamente carbonizados e os montes de cinzas aparentemente irrecuperáveis, que salvamos dos destroços.
Templo do saber

REERGUIDA DAS CINZAS

Fundada em 1691, a Biblioteca Anna Amalia, em Weimar, é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Recebeu o nome de Anna Amalia de Brunswick-Wolfenbüttel, que foi sua maior patrocinadora. O salão em estilo rococó é um dos mais magníficos templos de livros do mundo. Após um incêndio, o prédio foi reaberto em 24 de outubro de 2007, dia do aniversário de sua patrona.
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Eles se mostraram ainda bastante intactos, assim que se removeu a camada externa. Temos ainda muitos textos, partituras, manuscritos, velhas gravuras, cuja capa ou frontispício falta, mas o resto do livro está intacto. Lidar com isso, do ponto de vista da técnica de restauração e, sobretudo, da identificação, dar conta desse volume – são 25 mil volumes em cinzas –, esse é, na verdade, o maior desafio.

Um desses livros queimados se tornou um achado sensacional. Por que só agora apareceu essa primeira edição de De revolutionibus orbium coelestiumde Nicolau Copérnico?

É porque depois do incêndio nós definimos diferentes categorias de danos. Os livros menos danificados ficam na classe um, os mais atingidos, na classe quatro, e nós cuidamos primeiro das classes um a três, antes de nos ocuparmos com a quarta. Esse achado se encaixa, justamente, na classe quatro, à qual só estamos chegando agora. Ainda falta muito até termos inspecionado todos os livros incinerados. Precisamos de uns dois anos, só para concluir a identificação.

Nestes dois anos, pode ser que façamos um ou outro achado fora do comum. É quase impossível acelerar o processo, pois, claro, é preciso combinar tantos conhecimentos especiais, para conseguir identificar novamente publicações do século 16. Numa dessas caixas da categoria de dano quatro estava o Copérnico.

"De revolutionibus orbium coelestium" salvo das cinzas

Trata-se da primeira impressão, de 1543, de De revolutionibus orbium coelestium, em que o astrônomo propõe uma nova visão cósmica, com a Terra girando em torno do próprio eixo e como parte de um sistema planetário centrado no Sol. Isso contrariava inteiramente a concepção do cosmo da Idade Média. Por isso, esse livro tem um significado tão grande.

Ainda existem numerosos exemplares em diferentes bibliotecas por todo o mundo. Mas cada um deles é tão disputado e interessante do ponto de vista da história da ciência, por trazer sempre comentários diferentes. Esse é também o caso do nosso exemplar. Em 2008, o último exemplar dessa publicação de Copérnico foi leiloada em Nova York por 1,4 milhão de euros.

O processo de recuperação de um livro queimado é sabidamente muito trabalhoso...

Cada página recebe tratamento. Primeiro é hidratada, para eliminar as substâncias tóxicas, depois recebe uma margem, feita com massa de papel nova, para que possa ser manuseada. Em seguida a folha é secada e, por fim, revestida com uma camada finíssima de papel japonês. Aí ela está novamente estável e pode ser novamente encadernada, junto com as demais páginas.


fonte: DW

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O querer...

A proposta causou estranheza:

- Precisamos riscar a palavra querer da nossa vida.

- Como assim? indaguei confuso. Mas essa é uma palavra fundamental. É pelo querer que eu sou quem sou, tenho o que tenho, faço o que faço. Ou não é a vontade que motiva a conquista?

- É sim. Mas há uma grande distância entre a vontade e a ação; querer fazer é diferente de fazer; querer ter não é o mesmo que ter; e querer ser não é igual a ser. Por isso, há momentos em que paramos na vontade e não chegamos a lugar nenhum. 

Uma pausa reflexiva.

- Verdade. Confesso que muitas vezes esbarrei no querer e não fiz, não tive, não fui. E perdido nesse abismo que há entre o desejo e prática acabei sendo levado a fazer o que não queria.

Soou contraditório, mas fez sentido.

- É a chamada força dos acontecimentos. Quando apenas queremos, mas não fazemos a vida se encarrega de fazer de qualquer jeito, mesmo que seja do jeito que não queremos. E não podemos mudar porque não agimos. Perdemos a oportunidade da ação no deslumbre da vontade.

Concluímos:

- O pensamento sem ação é tão morto quanto uma palavra sem sentido. Por isso, o exercício de riscar das nossas vidas a palavra querer é tão desafiador. Pior do que a falta de vontade é a falta de atitude. 

Projeto institui orientação vocacional no ensino básico


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Projeto quer acelerar reclamações trabalhistas

Simone Franco
Tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) projeto que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no que diz respeito à apresentação de recurso ordinário nas reclamações sujeitas a procedimento sumaríssimo. O rito sumaríssimo na Justiça do Trabalho foi instituído pela Lei 9.957/2000 e alcança causas não superiores a 40 salários mínimos, o correspondente, hoje, a R$ 28.960.


O projeto do ex-senador Sérgio Souza (PMDB-PR) estabelece quatro condições para que o recurso ordinário nas ações trabalhistas de rito sumaríssimo não seja considerado protelatório (PLS 539/2011). 

Para ser aceito, o recurso terá de se fundar nas seguintes contestações: violação literal da lei ou direta da Constituição, contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e aspecto não pré-questionado no momento processual oportuno.

Ainda segundo o projeto, quem recorrer de forma inadequada terá de arcar com multa de 20% sobre o valor da condenação. Na visão do relator, senador Pedro Simon (PMDB-RS), a medida deverá trazer grandes benefícios ao trabalhador.

“Não nos parece justo que o inadimplente, em matéria de direitos trabalhistas, possa lançar mão de recursos meramente retardadores do processo, ainda que legais, que prejudicam e submetem o trabalhador a uma interminável espera por uma solução definitiva da Justiça”, afirma Simon.

Depois de passar pela CCJ, o projeto será votado em decisão terminativa pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).


Agência Senado