Páginas

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Cuba apresenta vacina contra câncer de pulmão

O lançamento oficial da segunda vacina contra o câncer de pulmão, desenvolvida e registrada por autoridades sanitárias de Cuba, foi realizada na última sexta-feira (14/07) em Buenos Aires e terá continuação na próxima sexta-feira (28) em Córdoba, também na Argentina
Em 2008, Cuba registrou a vacina contra o câncer pulmonar e agora tenta comercializar o produto na Argentina graças a uma colaboração iniciada em 1994. Em março, a agência regulatória de Buenos Aires aprovou o registro da Racotumomab.
Com este medicamento, Cuba espera transformar o câncer avançado em uma doença crônica que possa ser controlada por períodos prolongados, como o diabetes e a hipertensão arterial.
A vacina, chamada Racotumomab (Vaxira) e desenvolvida pelo CIM (Centro de Imunologia Molecular de Cuba) foi aplicada com resultados favoráveis em pacientes da ilha caribenha entre os anos 2008 e 2011.
Ainda não foi possível precisar se a vacina é uma solução à doença, mas ela aumenta a esperança de vida dos pacientes, ao estimular o sistema imunológico do corpo humano.
O câncer de pulmão é considerado um dos mais mortais que existem, causando por volta de 1,4 milhões de mortes por ano, segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde).


terça-feira, 18 de novembro de 2014

A necessidade de homens bons



Raíla Maciel*

A necessidade de homens bons é inquestionável em todas as partes do mundo e também em todas as épocas. Basta observamos os acontecimentos para nos darmos conta dessa carência. Surgem, então, os questionamentos: o que é a bondade? E como podemos alcançá-la? 

A bondade não é uma questão de opinião, pois o que é bom para mim pode não ser bom para o outro. Também não é uma questão temporal, pois o que foi bom no passado pode ser muito ruim nos dias atuais. Com tantas peculiaridades no mundo fica difícil definir um conceito. Sendo assim, somos levados a pensar a bondade de forma mais ampla. 

Por exemplo, todos sabem o que é bom para uma planta: água, solo e luz do sol. Isso independe do país em que ela esteja, da vontade de quem cuida e até da espécie. Algumas precisam de mais sol, outras de menos água, mas basicamente esse conjunto é fundamental para a planta sobreviver. Não se trata de opinião, mas de observação, de bom senso.

Sendo a bondade algo natural, Plantão concluiu que o Bem é a própria essência do Universo. O Bem está em tudo, é tudo aquilo que une e todos os homens nasceram com a habilidade de senti-lo. O Bem é como o Sol e todo aquele que tem a visão consegue enxergá-lo. 

Para desenvolver essa ideia, Platão usa o famoso Mito da Caverna, uma das alegorias mais conhecidas do filósofo, onde ele retrata o esforço feito pelos aprisionados para saírem da caverna e seguirem em direção a Luz do Sol (ou à Sabedoria). Quem faz esse percurso é o Filósofo; aquele que alcança a Luz e retorna para a caverna com o objetivo de ajudar os seus semelhantes é o Político (isso mesmo!). 

Mas como a busca pela Sabedoria é algo que não tem fim, surge então a figura do filósofo-político, representado pelo machado de duplo fio, aquele que corta para dentro e para fora. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que mostrarmos o caminho, passamos por ele.
O que nos guia neste esforço é a Educação, para o filósofo grego, educar é direcionar o olho à Luz. Do latim, o verbo "educare" é composto do prefixo ex (fora) + ducere (conduzir, levar), que significa literalmente 'conduzir para fora', ou seja, fazer com que o indivíduo exponha suas habilidades e, assim, prepará-lo para a busca da Sabedoria.

Destaca-se que a Educação não tem por objetivo “introduzir” conhecimentos em uma pessoa, mas, ao contrário, fazer com que ela descubra dentro de si mesma o seu melhor. Por isso, ela é tão fundamental e somente através por ela podemos Eduzir a nossa bondade e, assim, suprir essa grande necessidade do mundo. 


*baseado na palestra do Curso de Filosofia Prática da Nova Acrópole SLZ 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Jack Nicholson, o amor sem esperança de Anjelica Huston


Anjelica Huston recordava menos de um ano atrás ao EL PAÍS que embora tenha desfrutado ser parceira amorosa de Jack Nicholson, ela é muito mais que isso. Fiel ao que diz, a atriz, diretora, modelo, produtora e agora escritora dividiu sua biografia em dois livros. Na primeira, A story lately told, contou sua vida como filha do grande diretor e ator John Huston, sua infância na Irlanda e seu início como modelo. Agora é a vez de Watch me, publicada esta semana. Nestas memórias, ela conta sua outra vida, a de atriz e, durante 17 anos, namorada dessa força da natureza chamada Nicholson.

Dezessete anos não consecutivos e não monogâmicos dos quais desfrutou, mas nos quais, segundo ela, também sofreu. “Naquela época, não passei tão bem”, admite Huston durante a promoção do livro. Nele, fala das infidelidades do ator, que acabou deixando-a por outra mulher – 12 anos mais jovem que ele. Fala ainda da violência de gênero que sofreu nas mãos de Ryan O’Neal. Da morte de seu pai e de seu último grande amor, o escultor Robert Graham. Recorda também quando o diretor Roman Polanski se relacionou com uma menor na casa de Nicholson e foi acusado de violação. “O que ocorreu é coisa dele”, declarou naquela época a atriz.

Como diz a revista Entertainment Weekly, são muitas as biografias de famosos que parecem saquinhos de batatas fritas: muito ar e pouca substância. Não é o caso de Watch me. Huston se aprofunda em suas relações e em seu comportamento neste volume que escreveu – por recomendação de Lauren Bacall – à mão, com um lápis do número 2 em papel pautado amarelo. 

“O mais difícil foi encontrar adjetivos que descrevessem o que aconteceu”, acrescentou a atriz do filme A família Addams.

Huston e Nicholson se conheceram em uma festa em 1973. Naquela mesma noite, fizeram amor. No dia seguinte, ela aprenderia uma frase recorrente em sua vida, que o ator lhe dizia quando cancelava um encontro porque tinha “compromissos prévios”. Frase com a qual se referia a outras amantes, como Michelle Phillips ou Joni Mitchell. A atriz suíça Ursula Andress ou a modelo Bianca Jagger também faziam parte da lista de romances com os quais Nicholson alternou sua relação com Huston. O ator, ganhador de três prêmios Oscar, também se relacionou com a modelo Apollonia Van Ravenstein, a quem ele se referia como “uma transa de favor”. A relação de Huston com Nicholson foi meio tormentosa. A atriz o descreve como alguém “tão generoso quanto desconsiderado”. Ele lhe deu de presente desde um Mercedes Benz (que ela bateu no dia seguinte) até o bracelete de pérolas e diamantes com o qual, em sua época, Frank Sinatra presenteara Ava Gardner. O presente foi acompanhado de uma nota que dizia “pérolas de seu porco”, assinada por “seu Jack Nicholson”. “Ele assinava assim, mas é a única coisa que ele nunca foi”, comentou a atriz à Entertainment Weekly, referindo-se à alergia do ator ao matrimônio.

Em 1975, Huston trocou Nicholson pelo astro do momento, Ryan O’Neal, a quem dedica palavras menos agradáveis. Especialmente quando recorda o dia em que ele a agarrou pelos cabelos e a golpeou na cabeça. “Ele me fez ver estrelas”, comenta ela sobre uma agressão que o protagonista de Love story – Uma história de amor repetiria. “Um homem que levanta a mão contra uma mulher merece que o desmascarem”, declarou a atriz ao programa Today.

“Um homem que levanta a mão contra uma mulher merece que o desmascarem”.

Nicholson não só leu o livro, como lhe deu sua aprovação. Huston fala dele tanto com dor como com carinho, porque aceita que nunca deveria ter esperado dele algo que ele não poderia dar. “Eu poderia ter dito ‘até aqui chegamos’, mas nunca pude deixá-lo”, recorda. Daí que prefira conservar a conversa em que o ator lhe disse que o amor que ela sentia era como o livro de Gabriel García Márquez, O amor nos tempos do cólera. “Um de meus livros favoritos, de meu autor favorito e sobre meu tema preferido, amor eterno sem esperança”, resume na biografia.


fonte: El País Brasil 

sábado, 15 de novembro de 2014

Cuba: a hora final do embargo?

Começavam em Cuba os críticos anos noventa e na rua Oito de Miami uma peça de teatro arrasava: Nos 90 Fidel se arrebenta. A comédia antes se chamaria Nos 70 Fidel se arrebenta, e como a previsão não se cumpriu, acabou se tornando uma saga até chegar ao palco, quando bateu todos os recordes: a peça ficou dez anos em cartaz, protagonizada pelo comediante cubano Armando Roblán (que morreu no ano passado nos Estados Unidos sem ver seu sonho se realizar).

Naqueles anos o mundo bipolar da Guerra Fria se tornou unipolar e os EUA endureceu sua política de embargo em relação à ilha com leis como a Torricelli (1992) e a Helms-Burton (1996). Essas normas tornaram extraterritoriais algumas das medidas que perseguiam o comércio com Cuba e tentavam isolar o Governo de Fidel Castro, estratégia política nascida quase com o início da revolução, em 1959, e que —incrivelmente— meio século depois continua em vigor.

Era hora de apertar, pensavam alguns. Parecia que o socialismo cubano estava prestes a desaparecer, assim como a Europa do Leste tinha desmoronado como um castelo de cartas depois da queda do muro de Berlim (o que acaba de completar 25 anos). Foram anos tremendos para os cubanos, quando os apagões chegaram a ser de 14 horas diárias e uma epidemia de neurite, causada pela má alimentação, afetou 50.000 pessoas. O Ocidente então estava tão convencido de que o castrismo estava no último round que as grandes editoras desabafaram: em 1993 foi lançado Castro’s final hour, de Andrés Oppenheimer (Simon & Schuster) e Fin de siècle à la Havane, de François Fogel e Bertrand Rosenthal.

No entanto, a hora final de Castro se estendeu um pouquinho (já se vão 22 anos de prorrogação) e, disposto a sobreviver, o comandante não só fez desaparecer o socialismo real como também sua própria doença, uma diverticulite mal curada que quase lhe custou a vida e deu o gosto a seus inimigos em 2006, mas não.

Cada vez há mais vozes norte-americanas pedindo para se alterar o enfoque em relação à ilha
Hoje a ilha não é governada por Fidel Castro, mas por seu irmão Raúl, mas é possível dizer que Cuba em essência continua a mesma, e também que o embargo norte-americano foi um fracasso. Se algo mudou no país —mais espaço para a iniciativa privada, abertura aos investimentos estrangeiros, eliminação das restrições para sair do país, inclusive para dissidentes— foi por decisão e conveniência do próprio Governo, e não como resultado da política de pressão norte-americana.

Esse fato inquestionável —e visível há tempos para todos que não são míopes— agora é aceito nos EUA por poderes e personalidades influentes, do The New York Times a Hillary Clinton. A ex-secretária de Estado recentemente revolucionou a capital do exílio com declarações, a propósito da publicação de seu recente livro de memórias, sobre a necessidade de mudar o enfoque em relação a Cuba e acabar com o embargo. Dias depois, o New York Times surpreendeu com um editorial no qual pediu abertamente a Obama para dar uma guinada de 180 graus em sua política e restabelecer relações com Cuba. O jornal qualificou o embargo de “insensato” e esse editorial foi sucedido por mais quatro no mês passado, um deles aplaudindo a atitude de Cuba na luta internacional contra o ebola, outro pedindo a troca de vários espiões cubanos presos nos EUA por um empreiteiro norte-americano preso em Havana, e o último —no domingo passado— defendendo o fim das ações veladas de Washington para promover a democracia em Cuba.

Um longo meio século depois do início do embargo, cada vez são mais (e mais altas) as vozes que pedem para que não se espere mais 50 anos para tirar de cena uma peça de teatro tão obsoleta quanto a famosa Nos 90 Fidel se arrebenta.

Mauricio Vicent foi correspondente da Rede SER e de EL PAÍS em Havana entre 1991 e 2011.

fonte: El País Brasil