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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

brasileiro sabe votar?

Existe um provérbio chinês que diz, "Cada nação tem o governante que merece". Ou seja, o povo que sabe votar terá bons governantes, mas aqueles que não sabem terão maus governantes. É uma interpretação simplista, claro que existem outras interpretações, mas vamos trabalhar com essa.
Há vários artigos sobre a falta de "sabedoria" dos brasileiros na hora do voto, mas não se pode esquecer que passamos aproximadamente 20 anos sem eleições diretas e estamos completando a maioridade na atual democracia em relação ao voto. Estamos aprendendo, ou reaprendendo o que ser um estado democrático, as informações, com avanço das novas tecnologias, estão cada vez mais acessíveis aos excluídos, lógico ainda muito longe do ideal, mas muito melhor do que há 20 anos atrás.
Na primeira eleição direta para Presidente da Replúbica, o povo estava vendado pela desinformação acumulada em anos de restrição dos direitos de imprensa e liberdade de expressão deixados pela ditadura militar, os candidatos eram em sua maioria desconhecidos pela grande população, a mídia ao longo da campanha foi construindo a imagem de cada candidato de acordo com sua conveniência, assim elegeu-se Collor, o malfeitor. Mas é bom lembrar, naquela época poucas foram as pessoas que não se deixaram levar pelo sorriso, a aparência, o ar intelectual, a sofisticação, tudo isso muito bem explorada pela mídia elitista, a mesma que depois fez a campanha do impeachemeant derrubou o presidente.
Na segunda eleição, o povo escolheu o "responsável" pela valorização da moeda nacional frente ao dólar e estabilização da inflação, a influência da mídia levou um quase desconhecido (era ministro da fazenda) a presidência do Brasil, teve seu prós e contras, e apesar das polêmicas privatizações conseguiu a reeleição, não se pode negar que ele representava os interesses da elite brasileira. O povão continuava abandonando a própria sorte.
Na terceira eleição presidencial, Luís Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico e um dos fundadores do partido dos trabalhadores consegue se eleger, um semi-analfabeto, nordestino, de família pobre, chega ao apogeu da carreira política. O povo não escolhe mais um desconhecido, mas uma figura importante da esquerda do país. Se não foi a melhor escolha, pelo menos foi a mais identificada com os mais pobres, atendendo seus anseios.
Os métodos usados pelo povo na escolha do seus representantes se modificam, se aprimoram. Os grandes coronéis começam a perder eleição, as oligarquias estão perdendo forças, novas caras surgem, novos discursos, etc. Isso prova que o povo aprendeu e ainda está aprendendo, entre erros e acertos, como diria o poeta "assim caminha a humanidade..."

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