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sexta-feira, 14 de março de 2014

'Los Hermanos - Esse é só o começo do fim da nossa vida'

Cena do documentário 'Los Hermanos - Esse é só o começo do fim  da nossa vida', de Maria Ribeiro (Foto: Divulgação/É Tudo Verdade)
G1 SP
Em sua 19ª edição, o ‘É tudo verdade - Festival internacional de documentários’ irá apresentar 77 filmes em sessões gratuitas nas cidades de São Paulo, Rio, Campinas, Brasília e Belo Horizonte, de abril a julho. A programação foi divulgada nesta quarta (12), ainda sem a definição de qual sala exibirá as sessões (veja datas, programação e salas abaixo).

O festival, criado e dirigido por Amir Labaki, acontece de forma simultânea em São Paulo e no Rio, até o dia 13 de abril. Em seguida, começam as sessões em Campinas, de 22 a 24 de abril, Brasília, de 30 de abril a 4 de maio, e Belo Horizonte, de 24 a 27 de julho.

A abertura acontece no dia 3 de abril, em São Paulo, com a exibição de Canção da Floresta, do alemão Michael Obert. No dia seguinte o festival inicia suas atividades no Rio, com a première mundial de Tudo por amor ao cinema, de Aurélio Michiles.

A Seleção Internacional, dividida em mostras competitivas (longas e curtas) e informativas (Especiais, O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano), apresenta 43 títulos, enquanto a Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens apresentará sete filmes inéditos, valendo ao vencedor um prêmio de R$ 110 mil e um troféu, criado pelo artista plástico Carlito Carvalhosa. Já a Competição Brasileira de Curtas-Metragens terá nove filmes, sendo seis inéditos. O vencedor receberá um prêmio no valor de R$ 10 mil e o troféu É Tudo Verdade.

A retrospectiva internacional apresenta a obra documental de Shohei Imamura (1926- 2006), considerado um dos mais importantes cineastas japoneses de todos os tempos. Na retrospectiva nacional a homenageada será Helena Solberg. Serão realizadas ainda homenagens aos cineastas Eduardo Coutinho e Leon Hirszman.

<u>Abertura em São Paulo (3 de abril)</u>
Canção da Floresta
, de Michael Obert (Alemanha, 96 min., 2013).

<u>Abertura no Rio de Janeiro (4 de abril)</u>
Tudo por amor ao cinema
, de Aurélio Michiles (SP, 97 min., 2014).

<u>Competição brasileira de longas e médias-metragens</u>
Bernardes, de Gustavo Gama e Paulo Barros (RJ, 91 min., 2013).
Democracia em preto e branco, de Pedro Asbeg (RJ, 82 min., 2014).
Dominguinhos, de Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar (SP, 84 min., 2014).
Homem Comum, de Carlos Nader (SP, 110 min., 2014).
O mercado de notícias, de Jorge Furtado (RS, 94 min., 2014).
Por Um Punhado de Dólares – Os Novos Emigrados, de Leonardo Dourado (RJ, 81min., 2014).
Triunfo, de Caue Angeli e Hernani Ramos (SP, 84 min., 2014).

<u>Competição internacional de longas e médias-metragens</u>
Jasmine
, de Alain Ughetto (França, 70 min., 2013).
Ai Weiwei O Caso Falso, de Andreas Johnsen (Dinamarca, 86 min., 2013).
Normalização, de Robert Kirchhoff (Eslováquia e República Tcheca, 100 min., 2013).
Rio de Pedra, de Giovanni Donfrancesco (Itália e França, 88 min., 2013).
Eixo Óptico, de Marina Razbezhkina (Rússia, 90 min., 2013).
Retorno a Homs, de Talal Derki (Síria, 88 min., 2013).
Aldeia de Alao, de Li Youjie (China, 75 min., 2013).
A Mentira de Armstrong, de Alex Gibney (EUA, 124 min., 2013).
Sobre a Violência, de Goran Hugo Olsson (Suécia, EUA, Dinamarca e Finlândia, 85 min., 2014).
Alegria do Homem que Deseja, de Denis Côté (Canadá, 70 min., 2014).
A Viagem de Majub, de Eva Knopf (Alemanha, 49 min., 2013).
À Singapura, Com Amor, de Tan Pin Pin (Singapura, 70 min., 2013).

<u>Competição brasileira de curtas-metragens</u>
Borscht
, uma receita russa, de Marina Quintanilha (SP, 18 min., 2013).
A geografia é algum lugar entre o coração e aquilo que já foi, de Letícia Simões e Ricardo Marques (SP, 10 min., 2013).
Com uma câmera na mão e uma máscara de gás na cara, de Ravi Aymara (RJ, 27 min., 2013).
A sandália de Lampião, de Adriana Yañez (SP, 26 min., 2013).
Espinhela caída, de Ana Sofia Paiva, Felipe Chimicatti, Pedro Carvalho e Rafael Bottaro (BH, 24 min., 2013).
E o amor foi se tornando cada dia mais distante, de Alexander de Moraes (RJ, 9 min., 2014).
E, de Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Ramos (SP, 17 min., 2013).
A poeira de suas fotos, de Mauricio Osaki (Brasil e Vietnã, 17 min., 2014).
Sem Titulo #1: Dance of Leitfossil, de Carlos Adriano (SP, 6 min., 2014).
<u>Competição internacional de curtas-metragens</u>
Somente para Orelhas de Abano
, de Ronja Hijmans (Holanda, 20 min., 2013).
O Domador de Peixes, de Roger Gómez e Dani Resines (Espanha, 23 min., 2013).
O Atraso, de Daniel Paz Mireles (Venezuela e Espanha, 16 min., 2013).
A Imaculada, de Ronny Trocker (França e Itália, 13 min., 2013).
Histórias de Kijima, de Mikles Laetitia (França, 30 min., 2013).
Mãe é Deus, de Maria Bäck (Dinamarca, 30 min., 2013).
Vegas, de Lukasz Konopa (Reino Unido, 24 min., 2013).
Uma Visita, de Matej Bobrik (Polônia, 11 min., 2013).
O Altar Partido, de Mike Rollo (Canadá, 20 min., 2013).

<u>Programas especiais</u>
Batalha pelo Rio
, de Gonzalo Arijón (Finlândia, França e EUA, 90 min., 2014).
Bardot, A Incompreendida, de David Teboul (França, 115 min., 2013).
A Arte de Observar a Vida, de Marina Goldovskaya (EUA, 70 min., 2013).
Los Hermanos – Esse é Só Começo do Fim da Nossa Vida, de Maria Ribeiro (RJ, 85 min., 2013).
Ruptura, de Pamela Yates (EUA, 84 min., 2014).
Sobreviventes de Galileia, de Eduardo Coutinho (RJ, 27 min., 2014).
A Família de Elizabeth Teixeira, de Eduardo Coutinho (RJ e PB, 64 min., 2014).
Posfácio - Imagens do inconsciente, de Leon Hirszman (RJ, 79 min., 1986-2014).
O Homem que é Alto é Feliz?, de Michel Gondry (França, 88 min., 2013).

<u>Curta-metragem: Sessão especial</u>
Haruo Ohara
, de Rodrigo Grota (PR, 16 min., 2010).

<u>Retrospectiva brasileira: Helena Solberg</u>
A Entrevista
, de Helena Solberg (RJ, 20 min., 1966).
Meio Dia, de Helena Solberg (SP, 9 min., 1970).
A Nova Mulher, de Helena Solberg (EUA, 40 min., 1974).
Das Cinzas... Nicarágua Hoje, de Helena Solberg (EUA, 60 min., 1982).
Carmen Miranda: Banana is my business, de Helena Solberg (RJ, 92 min., 1995).
A Alma da Gente, de Helena Solberd e David Meyer (RJ, 80 min. 2013).
A Conexão Brasileira, A Luta pela Democracia, de Helena Solberg e David Meyer (EUA, 60 min., 1982).
Vida de Menina, de Helena Solberg (RJ, 101 min., 2004).
As Aventuras de Helena - Para o É Tudo Verdade, de Betse de Paula (RJ, 27 min., 2009).

<u>Retrospectiva internacional: Shohei Imamura</u>
Em Busca dos Soldados Foragidos na Malásia, de Shohei Imamura (Japão, 50 min., 1971).
Karahuki-San – A Fabricação de uma Prostituta, de Shohei Imamura (Japão, 70 min., 1975).
Um Homem Desaparece, de Shohei Imamura (Japão, 130 min., 1967).
O Brutamontes regressa à pátria, de Shohei Imamura (Japão, 47 min., 1973).
Os Piratas de Bubuan, de Shohei Imamura (Japão, 46 min., 1972).

<u>O estado das coisas</u>
Nelson Mandela: O Mito e Eu, de Khalo Matabane (Alemanha, África do Sul e Reino Unido, 84 min., 2013).
Os Cavalos de Fukushima, de Matsubayashi Yoju (Japão, 74 min., 2013).
De gravata e unha vermelha, de Miriam Chnaiderman (SP, 86 min., 2014).
Um Sonho Intenso, de José Mariani (RJ, 102 min., 2013).
20 centavos, de Tiago Tambelli (SP, 53 min., 2014).
Gasoduto, de Vitaly Mansky (Rússia, Repúplica Tcheca e Alemanha, 121 min., 2013).
Sonhos de DNA, de Bregt Je Van Der Haak (Holanda, 54 min., 2013).
A Corrida da Arte, de Marianne Lamour (França, 86 min., 2013).

<u>Foco Latino-americano</u>
Lugares: À Procura de Rusty James, de Alberto Fuguet (Chile, 90 min., 2013).
Furando a Onda, de Annie Canavaggio (Panamá, 70 min., 2013).
Rosario, de Shula Erenberg (México, 70 min., 2013).
Continuo Sendo, de Javier Corcuera (Peru e Espanha, 120 min., 2013).
<u>Locais de exibição:</u>
São Paulo (03 a 13 de abril)
Centro Cultural Banco do Brasil (70 lugares)
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro - Tel: (11) 3113.3651

Cine Livraria Cultura (Sala 01 – 300 lugares)
Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073 – Bela Vista - Tel: (11) 3285.3696

Espaço Itaú de Cinema (Sala 02 – 208 lugares)
Rua Augusta, 1475 – Cerqueira César - Tel: (11) 3288-6780
Reserva Cultural (Sala 01 – 190 lugares)
Av. Paulista, 900 - Tel: (11) 3287.3529
Rio de Janeiro (04 a 13 de abril)
Centro Cultural Banco do Brasil (102 lugares)
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro - Tel: (21) 3808.2020

Espaço Itaú Botafogo (169 lugares)
Praia de Botafogo, 316 – Botafogo - Tel: (21) 2559.8750

Instituto Moreira Salles (113 lugares)
Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea - Tel: (21) 3284.7400
Oi Futuro Ipanema (92 lugares)
Rua Visconde de Pirajá, 54 – 3º andar – Ipanema - Tel: (21) 3131.3060

Campinas (22 a 24 de abril)
CPFL Cultura (Auditório Umuarama – 146 lugares)
Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera - Tel: (19) 3756.8000

Brasília (30 de abril a 04 de maio)
Centro Cultural Banco do Brasil (74 lugares)
SCES, Trecho 02, lote 22 - Tel: (61) 3108.7600
Belo Horizonte (24 a 27 de julho)
Oi Futuro BH (Teatro Klauss Vianna – 329 lugares)
Av. Afonso Pena, 4.001 – Mangabeiras - Tel: (31) 3229.2979

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Matt LeBlanc fala sobre 'Episodes' e a vida depois de 'Friends'

Depois de conquistar o público e se tornar um nome familiar, como um dos seis principais personagens da série Friends, da NBC, o ator Matt LeBlanc encontrou um modo não convencional de abrir um novo capítulo em sua carreira, interpretando uma versão desagradável de si mesmo.

Matt LeBlanc, o estúpido mas amável 'Joey Tribbiani' - Reuters

Reuters
Matt LeBlanc, o estúpido mas amável 'Joey Tribbiani'
LeBlanc, 46 anos, dos quais dez interpretando o estúpido, mas amável Joey Tribbiani em Friends, ganhou um novo sopro de vida na TV como o rude e irresponsável personagem Matt LeBlanc no seriado Episodes, do Showtime, um papel que já lhe valeu um Globo de Ouro.

Episodes, agora em sua terceira temporada, tem nova première no domingo, e terá mais uma vez seus principais personagens enfrentando as personalidades disfuncionais que administram os complexos e confusos bastidores da indústria televisiva em Hollywood, tentando produzir um programa de sucesso.

Um jovial LeBlanc falou com a Reuters no escritório de seu assessor de imprensa, em Beverly Hills, sobre a vida depois de Friends e as linhas turvas entre realidade e ficção em Episodes.

Do que você mais gosta ao interpretar uma versão de si mesmo em Episodes?

É realmente bastante engraçado interpretar basicamente a percepção do público sobre a celebridade. Então, não se trata precisamente de mim, de modo algum.

Algumas vezes está certo na questão do dinheiro, e algumas vezes seu jeito fora da realidade. Eu de fato me mantenho firme para que não diferenciem quem é quem, porque um monte de gente me pergunta o quanto eu sou parecido com Matt LeBlanc no programa, e eu acho que, para mim, isso é importante. 

Meu trabalho é fazer vocês, o público, acreditarem que eu sou Joey Tribbiani ou eu sou Matt LeBlanc, essa é a tarefa do ator, ter uma interpretação de um personagem que não permita ver essa passagem.

Existe alguma linha vermelha da sua vida, onde você não queria entrar?

Sim. No que se refere à minha família, sou divorciado e tenho uma filha e dois enteados. No programa, sou divorciado e tenho dois filhos. E isso foi suficiente para não ter minha vida espelhada demais nesse campo. 

Afora isso, o que está definido para todos nós, sempre, é que eu não me importo de ser motivo de piada, se for uma grande piada. Se valer a pena, estou dentro. Se for apenas uma coisa banal, então, não.

Você buscou inspiração em alguma celebridade real em Hollywood para o personagem Matt LeBlanc em Episodes?

Sim, há provavelmente ali uma pitada de Charlie Sheen, se você estiver pensando em alguns dos mais bizarros comportamentos de que ouviu falar. O que fizemos com Matt foi ir um pouco além. Eu me lembro de ter visto na primeira página da seção de Calendário do Los Angeles Times dominical, na época de Friends, o meu salário divulgado, e o quanto nós estávamos ganhando. 

E minha reação foi algo como "Uau, que embaraçoso, vejam esse número". Há uma gama de emoções. As pessoas sabem o quanto você ganha, é estranho, certas coisas não são da conta de ninguém. Então, quando estávamos definindo as linhas gerais de quem seria esse cara Matt para Episodes eu disse: "Que tal se todo mundo dar como certo que eu sou rico? Vamos me colocar no programa de um jeito mais rico do que eu sou, e eu acho que será divertido ter esse cara numa situação em que o dinheiro não está em questão". 

Ele pode ser tão generoso quanto quiser ou tão frívolo quanto quiser, apenas ficar maluco com esse aspecto porque é isso o que as pessoas pensam quando elas pensam nos seis de nós de Friends, por causa do dinheiro que era noticiado. E, a propósito, o valor noticiado era baixo (risos). É um pouquinho mais. Na verdade, bem mais.

Nós ainda vemos muita camaradagem entre o elenco de Friends. Você vai se unir a algum deles no futuro de Episodes?

Não sei. Seria sempre ótimo trabalhar com eles. Para eles, seria como um tipo diferente de convidado especial porque eles teriam de interpretar a si mesmos, uma versão de si mesmos com a qual se sentissem confortáveis. 


fonte: Reuters Br

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Aloa Input e o novo som estranho da Baviera

Influenciados por uma nova geração de bandas americanas, o Aloa Input junta referências psicodélicas, do krautrock e do folk experimental para criar uma sonoridade pop original no álbum de estreia, "Anysome".

Em agosto de 2003, o jornalista David Keenan usou o termo New Weird America (Nova estranha América, na tradução do inglês) pela primeira vez. Em seu texto, ele descrevia o subgênero de música indie e psicodélica também chamado de psych folk para se referir a artistas como Animal Collective, Devendra Banhart e Grizzly Bear.

Dez anos depois, uma banda da Baviera lançou um disco que levanta a questão: seria Munique o novo Brooklyn? "Nosso vocalista [Florian Kreier] escreveu 'New Weird Bavaria' de brincadeira na nossa página do Myspace, em referência ao movimento americano. O termo descreve nossa música, um tipo de pop estranho feito na Baviera", explicou o baterista do Aloa Input, Cico Beck, em entrevista à DW Brasil.

Anysome, o disco de estreia do Aloa Input, soa como se os americanos do Animal Collective formassem uma banda de krautrock e fizessem um tributo ao clássico Pet Sounds, dos Beach Boys.

"Animal Collective foi nosso ponto de partida, mas eles têm um som mais complexo. Não soamos como eles. Nossas primeiras músicas eram muito diferentes das que estão no álbum. Temos muita influência de krautrock e de bandas dos anos 1960, principalmente de Beach Boys, o que fica muito evidente nos vocais", disse o baterista.

 Cover CD Aloa Input Anysome

Cover CD Aloa Input Anysome
Anysome, o disco de estreia da banda muniquense

Outra grande referência para o Aloa Input é o The Notwist, seminal grupo de Munique formado no final dos anos 1980. "A estética do som deles influenciou muita gente. Eles são uma grande banda, conhecida por todo mundo que faz música em Munique", completou.

A nova cena "estranha" da Baviera inclui ainda bandas como Angela Aux, Joasihno, G.E.F., The Marble Man, The Dope e Candelilla. De estilos não similares, elas têm uma maneira parecida de canalizar diferentes referências e reescrever a história da música pop local.

Pequenos momentos, grandes surpresas

Figuras atuantes da cena musical de Munique, Cico Beck, Marcus Grassl e Florian Kreier se conheceram há cerca de quatro anos. "Acabamos percebendo que tínhamos o mesmo tipo de música em nossas cabeças." Há cerca de um ano e meio, eles formaram o Aloa Input.

"No começo, conversamos muito sobre a música que queríamos fazer. Somos uma banda que falou muito antes de tocar a primeira nota." Depois de muita conversa, o Aloa Input começou a compor, ou seja, cada um foi para o seu quarto e começou a gravar. Com a ajuda de Stefan Dettl, da LaBrassBanda, amigo de infância de Kreier, eles ficaram uma semana num estúdio no campo, nos arredores de Munique.

"Hoje muitas bandas gravam, mas não tocam juntas. Trouxemos as partes de casa e finalizamos juntos no estúdio. Mesmo com o álbum pronto e lançado, ainda não tínhamos tocado as músicas juntos", explicou Beck sobre o processo de criação, que levou um ano e meio e resultou em Anysome.

Apesar de tanta conversa, Beck não considera nem a banda nem o álbum conceituais. "O único conceito é que não há conceito. Não queríamos criar regras. Nossa música tinha que ser cheia de pequenos momentos onde as pessoas são surpreendidas", afirmou.

Biodiversidade sonora


Alemães fazem "pop esquisito"

A diversidade sonora do Aloa Input resulta num pop esquisito na sua essência, mas agradável na audição. "Evitamos o caos na instrumentação. Queríamos achar um ponto em comum que guiasse todo o álbum", explicou Beck.

Isso fica evidente no nome da banda. Aloa vem do comprimento havaiano aloha. Input vem do ato de colocar dados num sistema ou computador. "Não acreditamos na genialidade de fazer o que nunca foi feito, mas na ideia de pegar diferentes informações e misturar na proporção ideal, como num coquetel. O resultado é nossa música."

Visualmente, essa ideia se traduz na capa de Anysome, uma colagem de animais e plantas numa selva que cresce no meio da cidade. Talvez uma visão idealizada de uma estranha Munique com vocais harmônicos da Califórnia, psicodelia pós-moderna de Nova York e sonoridade com a complexidade do krautrock e a despretensão do indie eletrônico.

Novos caminhos

Recentemente a banda começou uma nova fase, levando o som criado no estúdio para os palcos. Eles fizeram 20 shows na Alemanha e na Áustria. "Foi complicado porque nunca havíamos tocado juntos. Ficamos muito empolgados com o processo de reproduzir a parte eletrônica do álbum. Levou um tempo no começo, mas deu certo", contou Beck.

Em fevereiro, a banda volta para a estrada, em duas semanas de show por toda a Alemanha. "Está sendo divertido. Não fazemos música triste, então nossos shows têm sempre um clima animado." O Aloa Input pretende tocar em outros países europeus em 2014.

Tocar o álbum ao vivo também está mudando a perspectiva musical dos membros do Aloa Input. "Estamos mais confortáveis com nossos instrumentos. Acho que o novo disco vai ser menos pop e mais barulhento", disse Beck.

O novo álbum deve ser gravado numa ilha na Croácia durante a primavera europeia de 2014 e ainda não tem data de lançamento. "Hoje achamos que Anysome tem uma sonoridade muito boa, muito certinha. Mudaríamos um pouco isso. Deixaríamos o som diferente. Quando você toca ao vivo, nota mais as partes longas e hipnóticas. Nosso próximo disco vai mais nessa direção", adiantou o baterista.



fonte: DW.DE

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ESTREIA-"Uma Noite de Crime" faz retrato sangrento dos Estados Unidos

Reality shows usam um princípio que fascina perversamente desde a antiguidade: o sacrifício alheio. Basta lembrar as peças e mitos do passado, até chegar ao presente, na televisão, cinema e literatura, de "Big Brother" a "Jogos Vorazes" e afins.

O suspense futurista "Uma Noite de Crime" parte do mesmo princípio do prazer maligno em ver os outros sofrendo, sendo humilhados e, finalmente, morrendo. O ano é 2022 e o mundo se tornou um pesadelo distópico. Durante uma noite todos os anos, todo tipo de crime é permitido sem qualquer restrição.

James Sandin (Ethan Hawke) é um funcionário e pai exemplar, casado com Mary (Lena Headey), com quem tem um casal de filhos, Charlie (Max Burkholder) e Zoey (Adelaide Kane). Quando o jogo começa, ele protege sua casa, cobrindo janelas e portas, certificando-se de que ninguém entre, transformando o local numa verdadeira prisão.

Para que esse cenário de uma noite de crime possa existir, os Estados Unidos voltaram novamente a ser um país próspero, onde o desemprego não passa de 1 por cento. Nessa noite, quando os homens de bem podem liberar seus demônios, nem a polícia nem os médicos interferem. Ninguém será julgado pelo que cometeu, e assim, podem viver felizes e sem culpas nos outros 364 dias e meio do ano.

James DeMonaco, que escreve e dirige o filme, tem algo a dizer sobre o mundo contemporâneo. "Uma Noite de Crime" é uma sátira, e, como tal, depende de referenciais que estão nos Estados Unidos de hoje.

Obviamente, o filme não fala do futuro, mas opera numa chave que permite ler o presente e aponta o dedo: há algo de errado nessa sociedade. Embora tal afirmação esteja longe de ser novidade ou se aplicar apenas aos EUA, é sintomático, por exemplo, que o personagem central trabalhe numa empresa de segurança e as casas tenham se transformado em verdadeiras fortalezas.

Quando os Sandin se isolam e se protegem em sua casa, percebem que não estão sozinhos, nem dentro, nem fora, onde uma multidão enfurecida pede que um deles seja jogado para fora. DeMonaco não é Michael Haneke, e "Uma Noite de Crime" não é "Funny Games - Violência Gratuita".

Por isso, ele vai para caminhos mais explícitos, desarmando, aos poucos o clima de horror e estranhamento que construiu com esforço. O sangue se torna banal e mancha a tela mais do que o necessário. O comentário social que pretendia estampar no filme acaba se perdendo em mais uma história em que poças de sangue ditam as regras.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Moda na Europa, "festas silenciosas" atraem geração MP3


Na "silent party", a música não vem dos alto-falantes, mas é transmitida da cabine dos DJs diretamente para os fones de ouvido de quem está na pista. Uma experiência incomum, mas não menos empolgante.
 
Festa em Bonn mistura sucessos e música do mundo

Pouco depois da meia-noite, o DJ toca um clássico dos anos 1990. Cerca de 150 pessoas tomam conta da pista da Fabrik45, uma casa noturna de Bonn, no oeste alemão. Elas finalmente encontram coragem – ou já beberam o suficiente – para cantar e dançar. A pista toda sabe a letra de um dos clássicos dos Backstreet Boys. Mas como todos estão com fones de ouvido, tudo que se ouve são pequenas conversas, os pés batendo na pista e alguns trechos da música cantados de forma confusa.

Dois DJs discotecam em dois diferentes canais, que são transmitidos para os fones de ouvido via rádio. O sucesso dos Backstreet Boys é transmitido no canal A, onde Christof Domrove, também conhecido como DJ Drelland, executa sucessos da música pop. Na cabine ao lado, o polonês naturalizado alemão Darius Roncoszek, o DJ Darius Darek, toca sua especialidade no canal B: world music.

 
Ariane (20) se diverte vendo as pessos dançando diferentes músicas na pista

Na entrada da festa, Philipp Gondecki distribui fones de ouvido para os recém-chegados, que formam uma fila na porta do clube. É a primeira vez de Ariane, de 20 anos, numa "silent party" – a festa silenciosa. A estudante paga a entrada de 6 euros e ouve, junto ao grupo, a explicação de Gondecki sobre como a festa funciona:

"Com os fones de ouvido, você pode escolher entre dois canais, entre dois DJs diferentes", conta, enquanto demonstra empurrando o pequeno interruptor na parte de trás do fone. "Quando acabar a bateria, venham até aqui, que eu troco para vocês. Aqui você controla o volume", explica.

A primeira impressão de Ariane: "O fone é um pouco grande, preciso primeiro ajustar". Depois de procurar um pouco, ela encontra o controle do volume. "A qualidade é boa", diz.

Alta potência

O máximo da potência do fone de ouvido é de 80 dB – segundo a empresa fornecedora, o limite recomendado pelos médicos. Quem acha o som nos clubes muito alto se anima com a possibilidade de controlar seu próprio volume.
Halla, de 38 anos, gosta da ideia do fone de ouvido, mas sente falta de "sentir o baixo da música em seu corpo como em uma discoteca". No entanto, já é a segunda vez que ela e o namorado, Peter, vão à festa silenciosa. "É uma festa especial e simplesmente divertida," afirma.

 
Essa é a segunda vez que Navid (29) vem a uma "festa silenciosa"

Navid, de 29 anos, concorda: "É divertido quando duas pessoas ouvem diferentes canais, onde um toca uma música mais animada e o outro uma mais lenta, mas nenhuma das duas quer mudar o canal".

Como os fones cobrem completamente as orelhas, ouve-se a música no volume máximo – muitas pessoas, no entanto, começam a cantar a mesma canção. Um olhar para os lábios de um colega de pista pode revelar uma música que se quer escutar – durante a noite, muda-se inúmeras vezes de canal.

Movimentos diferentes

"Sempre há algo que eu tenho vontade de ouvir", diz Marie, de 28 anos e que gosta da possibilidade de escolher músicas.

A geração que está acostumada a apertar o botão do tocador MP3 até encontrar uma música que goste se sente em casa na festa. Para Darius Roncoszek, o evento é uma maneira de levar música de todo o mundo para as pessoas. A maioria vem por causa dos sucessos, mas é importante oferecer uma alternativa.

Embora ele tenha menos ouvintes em seu canal de world music, Roncoszek tenta sempre cativar e atrair o público. Na festa em Bonn, muitos cantam I Like to Move it, sucesso dos anos 1990 da banda Reel 2 Real. Roncoszek mistura o clássico com uma polca em ritmo acelerado. Ele pega o microfone e, enquanto todo mundo dança, diz: "Bem-vindos ao canal B", grita o DJ para aqueles nele sintonizados. A resposta é imediata: aplausos.

 
Para muitos, as festas são locais ideais para quem quer dançar e conversar

Sem reclamações

As festas com fones de ouvido já acontecem no Reino Unido desde a década de 1990. Nos últimos anos, o conceito tornou-se cada vez mais popular ao redor do mundo, sobretudo na Europa. Na Alemanha e na Suíça, há diversos promotores que organizam festas silenciosas.

O sinal da transmissão de rádio dos fones de ouvido pode atingir 100 metros se não houver grandes obstáculos no caminho. A festa em Bonn ocorre em uma galeria de arte privada. Natascia Cuschié, que trabalha no local, não recebeu até o momento qualquer reclamação em relação ao barulho. Essas festas também são populares em locações ao ar livre, desde que não haja risco de chuva, já que o equipamento é muito sensível.

Por volta das 5h da manhã, a festa termina. Apenas algumas das 250 pessoas que passaram pela festa durante a noite ainda estão na pista. Depois de horas, eles tiram e devolvem seus fones de ouvido. A próxima festa em Bonn já está marcada para o Halloween. O tema para os canais A e B não poderia ser mais empolgante: Dia das Bruxas versus Dia dos Mortos.


DW.DE

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fãs de Bridget Jones se aborrecem com morte de Mr. Darcy

As fãs de Bridget Jones, personagem fictícia que representa a mulher comum, foram às redes sociais expressar sua indignação porque a escritora Helen Fielding matou o alvo amoroso Mark Darcy em seu último romance.

Em "Bridget Jones: Mad about the Boy", a londrina de 30 e poucos anos obcecada com sua vida romântica, seu peso e o consumo de cigarros, que capturou o espírito do tempo dos anos 1990, tornou-se uma viúva de 50 e poucos anos com dois filhos e um namorado garotão.

"SPOILER ALERT: Nãããããããooooooooooo! O novo livro de Bridget Jones não é o que estávamos esperando", tuitou Amanda@mosschop2000 na terça-feira.

O primeiro romance de Fielding, "O Diário de Bridget Jones", saiu em 1996, e "Bridget Jones: A Idade da Razão" em 1999. Os dois livros venderam mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo.

O apelo trapalhão da personagem foi levado às telonas em dois filmes estrelados por Renée Zellweger como Bridget, junto com Hugh Grant e Colin Firth como Mark Darcy, e provocou uma enxurrada de colunas, livros, programas de televisão e outros filmes do gênero.

O personagem de Darcy nos romances de Fielding pega seu nome emprestado do herói distante de "Orgulho e Preconceito", criado no século 19 pela escritora inglesa Jane Austen.

Alguns fãs se recusaram a aceitar que Fielding pudesse matar seu Darcy, um advogado que defende os direitos humanos e que resgata Bridget de uma prisão tailandesa no segundo filme.

"Darcy não morreu. Podem me chamar de teimosa, tudo bem, mas eu me recuso a aceitar o novo livro como cânon ‘Bridget Jones'", tuitou Charlotte Runcie@charlotteruncie.

Bridget Jones, que saiu da coluna de jornal de Fielding escrita nos anos 1990, também lida no novo livro com os desafios da mídia social. Jones lamenta mandar mensagens quando está bêbada, jeans skinny e o fato de não ter seguidores no Twitter.

domingo, 29 de setembro de 2013

Jogo de computador recria um dia no esconderijo de Anne Frank

Game dá ao jogador a possibilidade de entender melhor o cotidiano no esconderijo da família Frank em Amsterdã. Criador rebate críticas de banalizar um tema delicado.
 
Gráficos e trilha sonora contribuem para a atmosfera opressiva do jogo

Anne está lendo, sentada na cozinha. Sua mãe prepara o almoço para os moradores do esconderijo, um anexo secreto nos fundos de um edifício em Amsterdã. Ela pede a Anne que busque um saco de batatas na despensa. A jovem se sente cansada. Ela deve ir ao andar de cima e pegar o saco? E se ela tropeçar e fizer algum barulho? Os vizinhos poderiam ouvir e denunciar a família? Se ela não for, sua mãe vai reclamar?
Esses são alguns exemplos de decisões com que o jogador de um game chamado Anne Frank é confrontado. O designer de jogos alemão Kira Resari transformou o mundo da famosa menina judia num jogo de computador.

 A abertura do game "Anne Frank"

Em 1934, a família Frank fugiu do regime nazista, buscando refúgio na Holanda. Anne tinha 5 anos. Em 1940, o país foi ocupado pelos nazistas. A família foi obrigada a se esconder. A vida no esconderijo em Amsterdã passou a ser meticulosamente documentada quando Anne, em 12 de junho de 1942, começou a escrever um diário.

Mais tarde o pai de Anne Frank, que sobreviveu ao Holocausto, publicou as anotações de sua filha. O diário de Anne Frank foi traduzido em 55 idiomas e é um dos livros mais lidos em escolas de todo o mundo.
"Experiência interativa"

Resari sustenta que seu jogo não banaliza a vida de Anne Frank. "Muitas pessoas pensam em jogos de computador apenas como uma forma de entretenimento, mas eles podem ser mais do que isso. Eles podem transmitir sentimentos", diz o designer. "Filmes e livros também lidam com questões difíceis. Por que essas questões devem ser banidas dos jogos de computador?"

Ele se refere ao projeto não como um jogo, mas como uma "experiência interativa". Resari quer transmitir ao usuário a atmosfera do esconderijo, sensações que Anne Frank provavelmente deve ter sentido. O jogo não se destaca pelos gráficos em 3D ou pelos efeitos sonoros. A aparência é simples e triste. O melancólico piano da trilha sonora contribui para criar uma atmosfera opressiva.
 Jogo se passa no esconderijo da família Frank

O princípio do jogo é simples: o usuário pode se locomover livremente no anexo na parte de trás do famoso edifício na Prinsengracht, 263. O jogo se restringe a um dia na vida de Anne, o 20 de outubro de 1942. A família Frank vive há pouco tempo na clandestinidade. No papel de Anne, o jogador encontra a irmã dela, Margot, os pais Otto e Edith e membros da família Van Pels, que também se escondiam no anexo. Ele pode decidir se a menina deve ler, fazer o trabalho doméstico ou escrever em seu diário.

"O jogo não é necessariamente para se divertir", explica Resari. "Em vez de ação, eu quero criar emoções. Qual é a sensação de se viver com sete pessoas e um gato em 50 metros quadrados? Assim, as relações sociais ficam em primeiro plano."

Ao ler o diário, Resari notou algumas lacunas. "As pessoas se perguntam o que eles faziam o dia todo fechados no esconderijo na parte de trás da casa." Essas lacunas, o designer quer preencher com a experiência interativa oferecida pelo game.

Um desafio para qualquer designer de jogos

 A casa de Anne Frank em Amsterdã

Resari estudou design de jogos na Universidade de Mídia de Munique. O projeto Anne Frank foi seu trabalho de conclusão de curso. No primeiro semestre da universidade, um dos professores desafiou os alunos: para ele, os jogos digitais deveriam ser capazes de representar todos os temas imagináveis. Resari aceitou o desafio e resolveu provar que um destino tão cruel como o de Anne Frank poderia ser material para um jogo sensível e inteligente.

Durante sua pesquisa, ele visitou a casa de Anne Frank em Amsterdã e mediu com exatidão todos os cômodos. A casa é hoje um museu. Para criar os personagens do jogo, ele se orientou por fotos originais dos reais moradores do esconderijo.

Decisões históricas

A casa de Anne Frank também pode ser vista num passeio virtual na internet, repleto de fatos históricos e comentários em áudio. Algo que o jogo intencionalmente não oferece. "O jogador não adquire novos conhecimentos, mas aprende a entender como se sentia uma pessoa perseguida na época do nazismo", diz Linda Breitlauch, professora de design de jogos da Academia de Design e Mídia de Düsseldorf.
Comparados com livros ou filmes históricos, os jogos têm um grande potencial: o jogador pode tomar decisões no papel de uma figura histórica. "Isso faz com que o estudo de um tema histórico se torne mais profundo e sustentável", diz Breitlauch.

 A autora foi morta pelos nazistas

Por outro lado, os designers de jogos têm uma grande responsabilidade quando desenvolvem um jogo como Anne Frank. Quais eventos podem ser influenciados pelo jogador? Como os eventos devem ser representados? O jogador tem a possibilidade de salvar a família de Frank? Temas históricos sensíveis exigem muita empatia do designer, diz Breitlauch. Um bom tato é imprescindível, assim como no roteiro de um filme como A Lista de Schindler.

Em Anne Frank, Resari não permite que o jogador brinque de Deus. Ele não pode mudar o fato que Anne Frank e sua família têm que permanecer escondidos, assim como não pode mudar o fato de que eles serão descobertos e deportados. Ele pode influenciar apenas pequenos eventos cotidianos da vida de Anne Frank, o que permite que ele entenda melhor o cotidiano dela.

O jogo ainda é um protótipo e não está disponível ao público. Resari não quer comercializá-lo. Ele vê seu projeto de jogo histórico como um bem cultural. Especialmente as próximas gerações vão precisar ter acesso à história de uma maneira que possam absorvêla e entendê-la. Anne Frank não deve ser apenas um capítulo num livro de história.

fonte:
DW.DE

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Senado francês proíbe concursos de beleza infantis

Concurso de mini miss França 2012 . As vencedoras têm 7 e 13 anos.
Concurso de mini miss França 2012 . As vencedoras têm 7 e 13 anos.
Alban Wyters/ABACAPRESS.COM Wyters Alban/ABACA


O projeto foi adotado por 146 votos a favor e apenas um contra. Para entrar em vigor, ele ainda deverá ser aprovado na Assembleia legislativa francesa.

A lei prevê uma multa de 3000 euros para os organizadores desse tipo de concurso, que contribui para a hipersexualização das crianças na opinião dos parlamentares.

"Não podemos deixar nossas filhas acreditarem, desde pequenas, que só têm algum valor por conta da aparência. O interesse comercial não pode se sobrepor ao interesse social", disse a autora do texto, a senadora e ex-ministra dos Esportes do governo Sarkozy, Chantal Jouanno.

A relatora do texto, Virginie Klès, se pronunciou contra a medida, a julgando muito 'radical.'

A ministra francesa dos Direitos das Mulheres, Najat Vallayd-Belkacem, do Partido Socialista, havia proposto um outro projeto, exigindo uma autorização prévia para a realização dos concursos, mas com a adoção do novo texto, ele foi arquivado.

Este tipo de concurso, onde as crianças costumam usar roupas ousadas e desfilam como adultos, existem nos Estados Unidos desde os anos 60. Um reality-show, "Toddlers and Tiaras", estreou em 2009 no país, mostrando os bastidores deste tipo de competição.

Na França, o primeiro concurso do gênero foi organizado em 1990.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Marconi Souza revela:"A verdade sobre a saída de Bell do Chiclete!"

Por Marconi De Souza Reis - 

Encerrei o ano de 2002 atrás do trio elétrico do Chiclete com Banana, isto é, escrevendo uma série de denúncias envolvendo o grupo musical. Foi um escândalo aquelas reportagens! Mostrei que, por trás daquela bandana que o cantor Bell Marques carrega sobre sua cabeça, se esconde muito mais do que uma incômoda calvície – fraudes, sonegação fiscal, caixa dois e até exploração de talentos em proveito próprio.

A primeira reportagem foi publicada no dia 17 de novembro de 2002, no jornal A Tarde, com o título “Líder do Chiclete acusado de exploração”, com farta documentação ilustrando a matéria. Narrei o drama de Paulla Cristinny, nascida em Paulo Afonso, e que Bell conheceu em 1994, quando ela tinha 10 anos de idade e era vocalista da Banda Dissonantes. A garota era um talento que encantava a cidade!

Ele trouxe a menina para a capital baiana, para gravações na WR e, em 1996, criou a Banda Coxa Bamba. A família da garota veio junta e assinou um contrato com a Babell – empresa do grupo Chiclete com Banana –, na qual a garota teria direito a 50% da renda bruta e 60% dos direitos fonográficos ao longo de 10 anos. Paulla Cristinny foi elogiada na Rede Globo em cadeia nacional no Carnaval de 1998.

Mas a verdade é que nunca recebeu os 50% da renda bruta nos 47 shows que fez em quatro estados brasileiros. Recebia apenas cachês de R$ 100. Resultado: entrou com ação (16ª Vara Cível de Salvador) e o Chiclete com Banana apresentou uma relação de pagamentos num papel sem timbre e sem assinatura. Ridículo! E mais: se recusou a entregar o livro da contabilidade. Aí minha série de reportagens pegou fogo!

Um mês depois, eu trouxe outro personagem envolvendo o grupo. No dia 15 de dezembro de 2002 estampei a manchete “Jonne processa Chiclete por fraudes”, também com farta documentação. Ao longo de uma semana denunciei a sonegação fiscal, a prática de caixa dois e outras fraudes do grupo. E foram nessas reportagens que apareceu a empresa Mazana, do Chiclete, hoje estopim do rompimento do grupo.

João Fernandes da Silva Filho, o Cacik Jonne, ex-guitarrista da banda, ingressou com duas ações cíveis (23ª Vara Cível) e uma trabalhista. As denúncias provocaram grandes turbulências no grupo, a ponto de, seis meses depois (em junho de 2003), a Delegacia da Receita Federal concluir – no processo de Paulla Cristinny – que apenas 34% da renda bruta dos eventos do Chiclete com Banana estavam contabilizados.

O perito Alex Andrade (PJO – 2605) afirmou nos autos: “O cantor Bell Marques registra toda a sua movimentação financeira por meio de conta-caixa, apesar da existência de conta corrente bancária com um volume significativo de transação e que difere da conta-caixa em vários lançamentos caracterizando assim a ausência de conciliação”.

E mais: o perito constatou que na declaração de impostos de pessoa física, de 1997, Bell Marques afirmava ter um patrimônio de R$ 1,6 milhão e rendimentos tributáveis de R$ 67 mil (ganhava R$ 5,5 mil por mês), daí que pedia uma restituição da Receita Federal de R$ 961! No ano seguinte, Bell informava que seus rendimentos eram de R$ 75 mil (ganhava R$ 6,2 mil por mês), e queria a restituição em R$ 3 mil.

Em 1999, seus rendimentos tributáveis foram de apenas R$ 9 mil ao ano (ganhou cerca de R$ 750 por mês), e ele pedia R$ 559 de restituição à Receita Federal. Na minha reportagem, eu cheguei a perguntar se Bell Marques ainda era o cantor ou agora trabalhava como “cordeiro” de trio-elétrico, mas o editor cortou minha pergunta! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

O perito constatou, ainda, que as declarações das empresas de Bell Marques (dos anos 90) foram retificadas em 25 de novembro de 2002, ou seja, uma semana após minha primeira reportagem. Um detalhe: o advogado de Bell Marques fez um acordo com a cantora Paulla Cristinny, para que os fatos não chegassem ao conhecimento da imprensa, mas eu furei o plano e publiquei tudo.

De lá para cá, tudo isso aí foi virando uma enorme bola de neve no Chiclete com Banana, principalmente porque os outros membros do grupo – inclusive os irmãos de Bell, Waldemar e Wilson Marques – abriram os olhos. E o grupo entrou em colapso, segundo me disse um empresário do ramo no início deste ano, informando-me que o rompimento era inevitável diante da insana contabilidade.

Enfim, a verdade sobre a saída de Bell Marques dificilmente será revelada pela imprensa baiana. Assim como nenhum jornalista tem coragem de escrever sobre um escândalo ainda maior envolvendo Ivete Sangalo e seu irmão Jesus Sangalo. Mas eu vou contar tudo no livro “ACM e Adriana – uma história de amor, traição e grampo”.

O Chiclete aparece no Capítulo 22, com o título “A banana do Chiclete”! Lá você vai ler a repercussão no grupo sobre a compra do jatinho de Bell, que custou R$ 17 milhões em 2010, e o que levou o grupo a vender a sua rádio recentemente por R$ 13 milhões!

Não posso adiantar nada agora porque ainda preciso de confirmações contundentes para o que me informaram. Aliás, minha marca no jornalismo foram os documentos – não havia reportagem minha sem documentação. Ademais, a última vez que falei com Jonne foi em 2006, quando ele estava aposentado pelo INSS, ganhando uma miséria que mal dava para pagar os remédios da sua grave doença!

Ele é portador de ataxia cerebelar, uma doença resultante de lesões que afetam o cerebelo, causando tremores no andar, na fala, na escrita, etc… E pergunto: como é que estão os processos de Jonne? Foram extintos? Algum advogado se vendeu? Olha, cadê essa imprensa de merda que não faz nada…

Bem, somente quando você comprar o meu livro vai saber a história completa do rompimento de Bell Marques com o Chiclete. Isso aqui foi só a introdução, o prelúdio, para evitar que o fã não fique tanto com cara de banana, mas o suficientemente esperto para parafrasear a canção: Se você é chicleteiro, Deus te perdoa. Se você não é, Deus tá “de boa”! Bom dia! 

 do site Brasil em Pauta

*Marconi de Souza Reis é escritor e jornalista na Bahia

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Más notícias


Luis Fernando Veríssimo
Ting-ling 

Nas casas senhoriais do Japão antigo era comum colocarem sininhos sob o assoalho 
dos corredores. Era impossível pisar numa taboa do chão de um corredor 
sem que soassem os sininhos. Conhecendo-se a violenta história do Japão medieval, 
com facções em luta constante pelo poder, é fácil deduzir que os sininhos existiam para 
denunciar a aproximação de espiões ou assassinos. Mas o ting-ling também devia servir 
como alarme contra ladrões e para prevenir o flagrante de adultério. Imagine-se a 
senhora da casa prestes a arrancar as calças do entregador de pizzas, ou o 
equivalente na época, quando este levanta a cabeça e pergunta:

- Esse som de sininhos, é do templo?

- Não, é o meu marido!

O ting-ling era uma maneira prática de evitar surpresas. Mas pode-se
 imaginar o grau de desconfiança de uma sociedade em permanente 
pavor do que vem pelo corredor. Até que se revelasse quem ou o que vinha, 
os sininhos poderiam significar qualquer coisa, alimentar qualquer paranoia.
 E qualquer tilintar poderia ser confundido com o ting-ling. Um gorjeio de passarinho,
 um pingo de chuva no teto, um brinde com cristais, até os inocentes sininhos do templo. 
E um gato solto num corredor espalharia o terror pela casa toda.

No Brasil de hoje desenvolvemos uma paranoia parecida. 
De tanto ouvir falar em roubalheira e maracutaias nos acostumamos a 
equacionar política e corrupção. Tudo que vem pelo corredor é suspeito, 
todo ting-ling é um prenúncio de escândalo. E como no Japão antigo também 
vivemos em permanente estado de desconfiança. Claro que a classe política é
 responsável pela sua própria má reputação, mas há exceções importantes.
 E hoje não se rouba mais do que antes - é que antes não se ficava sabendo a metade.

Enfim: nem tudo que tilinta é má notícia.



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Na perdição com Charlie Seen


Charlie Sheen pode ter deixado o “tiger blood” e voltado à TV, mas não está totalmente abstêmio. Uma semana intensa com o último selvagem de Hollywood



por ERIK HEDEGAARD | TRADUÇÃO: LIGIA FONSECA

Charlie Sheen
Charlie Sheen é capaz de se meter em mais encrencas do que qualquer outra pessoa. No último ano, ele... bom, com certeza você já sabe de tudo: as vociferações contra o ex-chefe, Chuck Lorre, criador de Two and a Half Men (“aquele sociopata maluco barato”), o desfile das mulheres que moravam com ele (uma estrela pornô e uma ex-babá), a retirada de seus filhos de casa, ordenada pelo tribunal, seu vocabulário lunático (“feiticeiros assassinos do Vaticano”, “tiger blood”, “winning!”, “quebrando pedras de 7 gramas”), o processo de US$ 100 milhões por violação de contrato contra a Warner Bros. e Lorre (cuja série lhe rendeu US$ 25 milhões, com mais por vir), a turnê My Violent Torpedo of Truth/ Defeat Is Not an Option (ou Meu Violento Torpedo da Verdade/ A Derrota não é uma Opção, que, aliás, provou ser o contrário – era um tanto ruim), e por aí vai. Em junho do ano passado, ele finalmente se esgotou e ficou quieto, aparecendo apenas para fazer algum comentário sobre Two and a Half Men e saindo de um show do Guns N’ Roses parecendo bêbado, para não dizer acabado. Em outras palavras, recentemente vem sendo um bom garoto.
Só que, esta noite, neste exato momento, Sheen está contemplando problemas mais uma vez. Ele está em uma churrascaria da moda em Hollywood chamada Boa, comendo com gosto seu tartare de atum tostado. Uma garota de 20 e poucos anos se aproxima. Diz que seu nome é Erica e que acabou de ser rejeitada em um teste para o papel de filha de 15 anos dele em Anger Management, novo seriado de Sheen no canal FX. Ela faz bico. Cabelo escuro, saia curta, blusa muito justa. Vira um pouco de lado, exibindo o perfil. “Falaram: ‘Você foi perfeita, mas seu corpo não é o de uma garota de 15 anos’.”
Sheen, de 46 anos, inclina-se, enxuga os lábios com o guardanapo e diz: “Bom, não sou especialista em fisiologia, mas tenho de concordar com eles”.
Então, do nada, o jogo começa. Logo, eles estarão perambulando no pátio externo, fumando. Ele pergunta: “Você é casada, noiva? Como não nos conhecemos antes? Como vamos fazer para que esta não seja a última vez em que nos vemos?” Então, grava o telefone dela no celular. É bem espetacular como acontece. Os olhos dele estão vivos e brilhantes. Ele é determinado sem ser agressivo. A aspereza de sua voz o faz parecer um brigão de bar, mas sua energia é tranquila, calorosa, amistosa, divertida. Há como não gostar?
“É uma das garotas mais lindas que vi em muito tempo – de chorar de linda”, diz, transbordando de emoção poética. “Alguém como ela só deveria existir aos domingos. Você viu as toneladas de fofura empilhadas sobre a beleza dela? Cara, tenho de sair mais. Aquilo foi sexy pra caramba.” Relaxando, ele continua: “As pessoas acham que uma garota chega e eu fico: ‘Tá, que seja’. Não. Sou como um pirralho de 9 anos sentado com o amigo, dizendo ‘Deus do céu!’”, ele afirma. “Este é o Charlie Sheen que ninguém conhece. Não sou um maldito esquisito. Não crio caos, confusão, desordem. Quer dizer, fiz isso por um tempo, mas nunca foi parte do plano. Só estava tentando manter as coisas de pé enquanto elas desmoronavam.”
Um pouco depois, ele envia uma mensagem de texto para Erica, sugerindo um reencontro em breve, mas, na verdade, ela não está fadada a se tornar o problema da noite. Nem as três ou quatro doses de tequila que Sheen vira tão facilmente.
Em vez disso, esta noite, o problema é um dos dentes de ouro na boca do ator – especificamente o número 12, na arcada superior esquerda, um pré-molar que quebrou com uma batata frita e foi substituído por ouro. Parece ridículo, mas o FX exigiu que, toda vez que Charlie Sheen aparecer em público, o dente de ouro precisa ser camuflado com tinta. Aparentemente, não gostam do que isso faz à aparência dele, talvez achem que o faz parecer do gueto. Ele suspira. “Um ano atrás, eu teria dito: ‘Dane-se, é meu dente!’ Mas por que ser o canalha? Qual é o motivo? Mostrar pra eles? Mostrar pra eles o quê? De qualquer forma, isso se tornou um grande problema, então falo: ‘Ok, vocês têm o direito’. ”
Só que, claro, Charlie sendo Charlie, esse dente não foi pintado hoje e, quando sorri, é incrivelmente brilhante. Há muitos paparazzi do lado de fora esperando que ele apareça. Sheen faz uma pausa, respira fundo. Poderia ser pior. Ele poderia estar na cadeia ou (supostamente) lutando com uma garota no Plaza Hotel ou jogando dinheiro para uma stripper. Muito pior. “Eu me esqueci de pintar meu dente, só isso.” Ele vai embora pela porta dos fundos e entra em um carro que o espera, evitando os fotógrafos, evitando conflito, mostrando um lado mais maduro de si: o Charlie Sheen que ninguém conhece, tentando fazer a coisa certa pela primeira vez em sua vida, e esperando conseguir.